Após cinco horas de negociações chegou ao fim a rebelião deflagrada pelos presos na manhã deste sábado (21), na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina. De acordo com a Polícia Militar cerca de 40 detentos fugiram, e os amotinados destruíram a unidade e repartições da 38ª Delegacia Regional de Polícia.
A fuga aconteceu pouco antes das 9 horas, no momento em que ocorria a troca de plantão da equipe de investigadores da 38ª DRP, que funciona de forma compartilhada com a cadeia construída para 54 presos, mas que atualmente mantinha 147 homens e mulheres custodiados.
Ao perceberem a ação dos presos, os investigadores e agentes do Depen (Departamento Penitenciário) iniciaram as manobras de segurança para evitar que mais detentos ganhassem as ruas. O local foi completamente cercado com a chegada das equipes da Polícia Militar, porém, a cadeia acabou tomada pelos presos, que fizeram os próprios companheiros reféns para evitar a entrada da tropa de choque da PM na unidade.
Ao menos cinco presos foram amarrados e agredidos em cima do telhado da delegacia. Os detentos exigiam a presença do Poder Judiciário e do Ministério Público no local, sob ameaça de jogar os próprios companheiros do telhado.
A situação ficou ainda mais tensa depois que os presos atearam fogo no setor administrativo da delegacia. As chamas consumiram documentos e objetos que serviriam como provas nos inquéritos policiais, além de computadores e eletroeletrônicos. Contudo, o incêndio foi contido pelo Corpo de Bombeiros antes que as chamas se alastrassem para outras repartições.
Negociações
As negociações iniciadas logo pela manhã, através do comandante da 4ª Companhia de Polícia Militar, Robson Falk Vieira, só avançaram com a chegada da juíza Maristela Andrade de Carvalho e da promotora de Justiça Nathalie Murillo Floroschk, por volta do meio-dia, que ouviram as reivindicações dos amotinados pela transferência de presos já condenados e por melhores condições humanas na unidade prisional.
Por volta das 14 horas os detentos finalmente liberaram as vítimas e se dirigiram ao solário da cadeia conforme determinação da PM, pondo fim à rebelião.
Balanço parcial
Conforme o porta-voz do Setor de Comunicação Social do 2º BPM, tenente, Renato Augusto Dias, a carceragem e grande parte da ala administrativa da 38ª DRP foram destruídas pelos presos. O oficial informou, preliminarmente, que cerca de 40 presos fugiram, dos quais 11 haviam sido recapturados até então. Outras três pessoas também foram presas durante a rebelião, porém, em consequência de flagrante delito. Os presos mantidos como reféns tiveram apenas lesões superficiais.
A PM deve apresentar o balanço oficial à imprensa nas próximas horas.
Transferências
A juíza Maristela Andrade de Carvalho informou que iria analisar com urgência os casos de possíveis transferências de presos já condenados, conforme determina a Lei de Execuções Penais, bem como as demais reivindicações dos detentos para o fim da rebelião, como exemplo, melhorias na qualidade da alimentação servida na cadeia e o fim de medidas punitivas impostas recentemente pela Justiça em função da localização de uma arma de fogo e mais de 100 aparelhos celulares nas celas durante a realização de uma operação bate-grade.
Destruição de provas
De acordo com o delegado Tristão Antônio Borborema de Carvalho, o incêndio que atingiu o setor administrativo da 38ª Delegacia Regional de Polícia consumiu inúmeros inquéritos policiais e diversos objetos colhidos como provas nas investigações. “É preciso aguardar o resultado do levantamento que faremos na segunda-feira (23) para avaliar o tamanho do prejuízo. Mas, muito provavelmente, a delegacia deve ser interditada para a manutenção necessária”, disse o delegado.
Conforme apurou a reportagem, dos 147 presos que dividiam as celas da cadeia de Santo Antônio da Platina antes da rebelião, aproximadamente 80 são condenados à espera de transferência para penitenciárias do Estado.
Tanosite.